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Sete dias da semana, sete pecados capitais. Sete cores do arco-íris, sete notas musicais. Sete borboletas, grandes, pequenas. O que mais sete você pode ver? Setiada por mim para o blog Sete estrelas A ostra e o vento Apaixonite aguda Apenas o cotidiano Baladas e babados Bloco do Eu Sozinho Bonequinho de Luxo Candongas não fazem festa Dactilus Nigrus Desencontros Diário evolutivo Ei, Porra! Entretantas, eu .F.E.L.I.M.P.R.O.P.A.N.O. Fichado! Funny way Helkiller Inimigo do inimigo I prefer to believe in people Noite passada um DJ salvou minha vida O que me define O que ñ se vê em meus olhos Quase gente Rango na madrugada Rebelde sem causa Reflexões Requiem for words Roda gigante Sem salvação SuperPaloma Todo meu contexto TV de cachorro Without a trace Sétimo sentido Flog Sete vezes
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Quarta-feira, Agosto 08, 2007 ![]() Acho que me perdi – ou perdi aquilo que mede as porções da vida. Já não sei se o problema foi falta ou excesso de carinho. Se lhe falei demais ou, na tentativa de evitar maiores problemas, permaneci em silêncio – e acabei por desconsiderar que, assim fazendo, os problemas tornavam-se ainda maiores. Sinceramente, não sei o quanto você gosta que eu te ligue, já que ouço reclamações quando ligo sempre que é de minha vontade – e eu sei que ela é grande – ou se ligo somente quando necessário – ou seja, quase nunca. Até hoje, não consegui saber se prefere meu cabelo preso, deixando a nuca à mostra pra você futucar de vez em quando, ou solto, grudando na sua barba quando a gente se abraça.. e se solto, já não sei se te agrada mais enrolar nele seus dedos quando estiver anelado, ou fazer um carinho qualquer se for o caso de estar completamente liso. Já cheguei a pensar que sua atenção em demasia fosse por gostar demais, mas agora acho que só age assim quando apronta alguma – e sabe que eu vou perceber. Eu já confiei em você mais do que em mim mesma; hoje, não acredito nem em mim, nem em você. Às vezes, queria poder te falar sem fazer rodeios com perguntas tolas, mas a verdade é que tenho receio de ser muito direta e te assustar – ou, na pior das hipóteses, falar muita merda junta e dar bosta. Só sei que os problemas hoje são tantos, que eu nem sei por onde começar a resolvê-los – e chego a acreditar que, o maior deles, é achar que o problema sou eu. Ao final, só tenho certeza de uma coisa: eu nunca vou te entender. "You’re ‘bout as reliable as paper shoes in bad weathers.."
Incubus - Paper shoes
Terça-feira, Janeiro 02, 2007 ![]() É muito bom ser criança. Ontem eu acordei no meio da noite, com um gosto de doce da vovó na boca. Vestida de uma sensação boa de emoção, calcei meus chinelinhos de filó e me coloquei a andar pelo casarão, sem rumo. Ao subir uma escada estreita, olhei pelo buraco de uma fechadura pequena e vi um mundo grande. Vi uma menina que chorava, e o choro sendo cessado quando o seu menino chegou, munido de palavras doces, um afago junto ao peito e o olhar que traduzia a certeza de que ainda ia dar certo. Vi números que pulavam de um lado para o outro; não se sabia se se referiam às finanças, à faculdade, ao peso na balança ou ao tamanho do sentimento da menina, mas aposto que eles eram bonzinhos porque ela estampava um sorriso de satisfação no rosto. Lá longe, avistei um menino que chorava, mas era diferente do primeiro; mais alto e parecendo mais decidido, ele tentava esconder as lágrimas sem olhar para a menina, sabe? Ela também chorava; um choro cansado.. ela acha que ninguém viu, mas eu estranhamente sei. Vi também uma família quase se separar.. mas a menina pegou um novelo de lã, amarrou na cintura de cada um e eles seguiram caminhos distintos, mas sempre juntos - ela teve o cuidado de pegar um novelo que tendia ao infinito, para que a distância jamais importasse. Quase no centro, vi uma caixinha de laços se encher deles.. não eram todos do mesmo tamanho e o colorido dava um quê especial à caixa. A menina se aproximou e jogou uns poucos laços fora; alguns tiveram sua gramatitude diminuída, mas a grande maioria foi aumentada e ganhou um brilho especial. No centro do grande mundo, eu vi uma menina feliz. Ela tinha um machucado fundo, umas cicatrizes e alguns arranhões, mas o tamanho do seu sorriso e a esperança em seu olhar ofuscava qualquer queda ou tropeço. Eu voltei para o quarto sentindo o filó roçar o chão macio. A emoção ainda estava ali, mas uma sensação de conforto preencheu o espaço vazio. Eu voltei a dormir lindamente, como qualquer criança que conseguiu enxergar coisas boas lá adiante e provou de um doce bom - mas não contem nada para a mamãe: ela disse que é feio espiar pelo buraco da fechadura. [dois mil e sete] :)
Quinta-feira, Novembro 09, 2006
dizeres de cerâmica - você me ama? - claro! - pra mim não tá tão claro assim.. - acende a luz, amor. Larinha Lex Mr. Carey Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Sábado, Outubro 28, 2006 ![]() A gente se sente sozinho pelo menos um milhão de vezes na vida. Como na hora do parabéns, em que todo mundo canta aquela musiquinha de sempre, com uma empolgação, por vezes, forçada, e você fica feito bobo no meio da roda, morrendo de vergonha, torcendo pra acabar logo. Essa coisa de aniversário é esquisita. Espera-se por esse dia todo ano, mas depois que ele passa não muda muita coisa, de fato; você apenas se torna uma pessoa alguns presentes mais rica - isto quando se torna, claro. Vai dizer que não é algo mecânico? Que você realmente acredita que todas aquelas pessoas batendo palmas freneticamente te desejam muitas felicidades? Nada, só estão interessadas no seu bolo com calda de chocolate derretente, ou em colocar o máximo de brigadeiros no bolso, pra comer mais tarde, sozinho. No máximo, aquele cara que gosta de você desde a segunda série ou os seus pais - que sabem que, se nem eles gostarem de você, quem é que vai gostar? E aí a gente se sente sozinho. A solidão vem quando ninguém atende o telefone do outro lado. Ou quando atende, pra dizer que não vai poder te ver. E vem quando você não tem ninguém pra dividir a cereja que vem em cima do sorvete. Ou quando nem cereja vem no seu sorvete. Ela vem sozinha, porque solidão que é solidão nunca tá acompanhada. Vem quando você assiste um filme abraçante e, quando se dá conta, tá com as mãos nas próprias costas. Quando você se pega conversando sozinho debaixo do chuveiro ou literalmente falando com as paredes do quarto. Ou num momento bonito, em que você chora por não ter com quem dividi-lo. Mas você também sorri. Sorri duas vezes mais milhões de vezes na vida do que se sente sozinho. Por vezes, nem se precisa de um motivo suficientemente bom; você sorri porque fica bem melhor assim. Sorri quando você atende o telefone e alguém te chama pra tomar um sorvete numa segunda-feira à tarde. Ou quando toca uma música boa no rádio, e você dança sem perceber. Quando ganha uma flor, um bombom ou um beijo. Ou num momento tedioso, quando o celular toca e a mensagem diz que alguém te ama. Quando você recebe uma carta, lê um livro bom, assiste a um filme que te agrada. Você sorri quando sai com os amigos, porque não há como ser de outra maneira; sorri quando faz amigos. Sorri até sem querer, pra sufocar alguma coisa que já não te faz bem. Assim o faz porque te disseram que um sorriso melhora tudo, tanto pra quem o dá quanto pra quem o recebe. Mas você sorri principalmente quando faz alguém sorrir, porque daí vem a certeza de que já não se está mais sozinho. Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Segunda-feira, Outubro 09, 2006 ![]() Hoje eu pensei em cometer crimes contra você. Iria te trair com o seu melhor amigo pra que você não tivesse vontade de olhar pra mim nem do canto do olho; jogar no chão aquilo que você mais gosta pra poder pisar em cima logo em seguida (e, é claro, só sair quando o 'aquilo' estivesse danificado o suficiente para não ter possibilidade de recuperação); e depois te mataria.. inicialmente só dentro de mim, mas eu acabaria pegando uma arma e acertando uma bala no meio da tua testa chata. É porque eu te quero demais pra imaginar a minha vida boa sem você. E eu odeio que você não me ligue todos os dias pra dizer isso (e, quando liga, é pra perguntar algo inútil, como a previsão do tempo no dia seguinte). E detesto não conseguir ouvir uma música mela-cueca sem que meu pensamento acabe remetendo a você. E aquele cheiro bom? Foi você passando por mim, dando um tapinha desintencional em meu ombro. Ah, e é claro que você sabe o quanto me irrita saber que o tempo precioso que a gente podia passar juntos deve ser ocupado com coisas de caráter essencialístico, como trocar os pneus carecas do carro. Odeio saber que a gente não tem uma música, e que, ainda assim, você goste de tantas. Odeio que outras pessoas te achem lindo além de mim. E odeio imaginar que suas mãos tocam as costas delas quando você as abraça. Não gosto de pensar nas conversas boas que você tem com alheios e que, talvez, pela minha insensatez, eu nunca venha a te dar momentos legais assim. Quem sabe você se arrependa daquele dia em que, envolto no seu conto de fadas, mandou a Cachinhos de ouro se picar floresta adentro e escolheu a Cinderela que nunca vai ter, de fato, um sapatinho de cristal pra que você calce nela. Será que o gosto não é mais o mesmo? E quando nada mais for novidade, você vai me jogar no chão do seu quarto e esquecer-me em algum canto empoeirado? Eu odeio não saber o que você pensa e odeio ainda mais saber que não pensa sempre em mim. Não suporto pensar que talvez eu já tenha lhe parecido mais interessante e, de tanto conviver, você viu que não sou nenhum sonho freudiano - tô mais pra uma pintura expressionista-dadaísta composta de umas partes cubistas bem avantajadas. Querendo ou não, vou ser um quadro que vai tá sempre esperando por você e achando aquele olhar danado tão bonito quanto da primeira vez. Damien Rice - Nine crimes (live)
Quinta-feira, Outubro 05, 2006 ![]() As pequenas mortes do cotidiano a faziam lembrar daquilo que mais se tentava esquecer. Os olhos marejados não a deixavam ver os números fixados no papel. É que ela só tinha a lembrança, e a lembrança não a levava pra passear. A lembrança não alisava seus cabelos, não lhe sorria de um jeito bonito ou sequer dizia-lhe bom dia, para que o dia fosse realmente bom. E a lágrima, por mais que caísse diante do tolo povo, era difícil de se esconder. "Sobre estar só, eu sei.."
Los Hermanos - Dois barcos Cris Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Quinta-feira, Setembro 28, 2006 ![]() Querido monstro do armário, Resolvi te escrever. Sei que você me visita todas as noites, porque sinto um leve soprar em minha nuca e meu coração se enche de tristeza. Não tenho coragem de abrir os olhos por medo de não conseguir mais fechá-los - ou ainda pior: não querer fazê-lo. O frio que me consome quando sei que você vem é insuportável e me perco num sono que parece fugir. Por que lhe escrevo? Para pedir ajoelhadamente que pare de me visitar. Sinto falta daquele calor e de conseguir mandar o medo embora. Parta, mostro do amário! Se ainda não aprendi a sua lição, virarei flor embaixo da terra sem saber jamais. Cris Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Segunda-feira, Setembro 18, 2006 ![]() "Sentiu-se mulher. Passado o período da menstruação, sentia-se inteira, poderosa, vitaminada. Tomou atitudes pensadas, comprou apenas o necessário, trabalhou, concentrou-se, usou lingerie sexy, fez escova no cabelo, combinou sapatos e bolsa, lembrou de pegar o guarda-chuva, pagou a conta do cartão de crédito, teve paciência com a mãe. Durante esses dias, foi um mulherão. Aí, cansou-se. Ficou com dor nas costas, nas pernas, sentiu-se gorda, percebeu novas rugas no rosto, usou calcinhas gigantescas, saias compridas, cabelo preso, nada de maquiagem. Não teve vontade de sair e acompanhou até a novela das oito. Naquela semana, virou velhinha. De repente passou a agir como criança. Surpreendeu-se com a pistola na cadeira do dentista, chorou por qualquer coisinha, ficou birrenta, manhosa, queria o colo da mãe, queria ser filha, queria tetê, comidinha predileta, carinho, ficar a noite inteira com o namorado fazendo nhenhenhém (que nada mais é do que manha), dormir de colherinha. Pediu um Mac Lanche Feliz, brincou com os brindes, usou calcinhas floridinhas, assistiu filme da Disney... Percebeu que estava de TPM. Então veio o alívio. A menstruação chegou e ela virou... mocinha! Sim, uma "aborrescente" de marca maior. Ligou para todas as amigas para contar os detalhes do final de semana, fez brigadeiro e comeu quente, na panela, ouviu uma rádio poperô no último volume, desconfiou do namorado, teve vontade de fumar, bebeu um pouquinho e logo chapou, teve cólicas, usou calcinhas coloridas, temáticas ("Fuck me", "Dangerous", "Here!") e depois de uma semana, finalmente, sentiu-se mulher novamente. Tudo isso em apenas um mês. Todos os meses." Renata Oxendorff Cris Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Sexta-feira, Setembro 08, 2006 ![]() Quem sabe escrevesse um livro. Falaria da chata menina que não a deixava brincar os mini-perfumes da lojinha de mentira e da planta carnívora que havia nos fundos do prédio, da qual ela passava longe por medo de ser devorada algum dia. Falaria do som estridente do pequeno pianinho azul, da sensação de ver os alimentos crescendo na horta do quintal e do pequeno bol de pêlo que dormia na cama dos seus pais - e que ela tanto amava. Contaria do primeiro dia em que foi à padaria sozinha, de como era desconcertante desfilar o sete de setembro com aquela saia minúscula de papel crepom e do dia em que fez xixi na roupa na escola, colocou a culpa na chuva e todo mundo acreditou. Descreveria as flores bonitas que ganhava, os bilhetinhos escondidos da professora, as músicas piegas que ouvia e de como era galante o seu primeiro amor. Falaria das amizades ingratas, das festas na casa dos amigos, das verdadeiras amizades e do seu primeiro beijo. Falaria de família, de sorrisos e de sonhos. Contaria da nova escola, dos mestres, das leituras difíceis, da liberdade conquistada, da dança sagrada, de anjos eternos e do primeiro namorado. Pularia algumas partes difíceis pela dor em relembrá-las. Falaria do amadurecer repentino, das grandes responsabilidades, dos segredos embutidos e daquilo que se achou ser para sempre. Falaria de bebidas, de música boa num show, de surpresas, de coisas que deram certo, de novas descobertas, da felicidade estupenda e desse amor todo. Mas desistiria antes mesmo disso, porque tudo pareceria desinteressante demais aos outros. Continuaria a viver aquela vida boa de se bondar. E se algo lhe fosse bom de verdade, talvez não deixasse a caneta repousar - quem sabe escrevesse um livro. Cris Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Quinta-feira, Agosto 31, 2006 ![]() Um molecote. Levantou ainda meio zonzo da noite passada e vestiu o moletom amassado. A cabeça mal comportava os cabelos que se rebelavam a cada passo arrastado e os olhos pareciam grudados de tão pesados. Ela já estava acordada há algum tempo, mas permaneceu imóvel para não despertá-lo - era ainda mais bonito quando dormia. Fitou o teto por longos minutos e mergulhou em seus pensamentos confusos, na esperança de encontrar algo que fizesse sentido naquele emaranhado de complexos. Assim permaneceu até ouvir o tilintar dos sinos presos na ponta da cama, anunciando que alguém se movia. Ela observou o mexer do traseiro dele, afastando-se gradativamente, e se encantou com o fato de que, mesmo depois de tanto tempo, tudo ainda lhe era encantavelmente interessante. A cueca à mostra representava um charme completo e aquele andar desajeitado tinha seu ar de conquista. Lembrou-se do começo de tudo e de como parecera uma criança boba ao ganhar seu primeiro brinquedo; os cheiros, as palavras doces, os sorrisos, os toques, os olhares, as manias - tudo era tão bom.. E agora ela o olhava se afastar, talvez pela última vez. Não queria fazê-lo sofrer e sofreria muito, se preciso fosse, para manter aquele sorriso maroto sempre presente. Dor? Sentiria de qualquer jeito, fosse com a sua falta ou com o maldito tumor que estava crescendo lá dentro. Ela faria falta? Ah, ele faria sim - sem caber no entender. Levantou-se sorrateiramente e vestiu-se de maneira silenciosa. Teve o cuidado de não deixar nenhum pertence para trás, a fim de que ele pudesse esquecê-la mais rápido sem as lembranças táteis de sempre. Fechou a porta devagar e deu as costas para a casa dos quadros. Tentou respirar fundo e sentiu uma dor no peito que nada se parecia com a do tumor - e ela achou que seria fácil.. Incubus - I miss you (acoustic)
Cris Rafa Ricardo Sid Theo Wilker William
Domingo, Agosto 20, 2006
Quinta-feira, Agosto 10, 2006 ![]() De quem é o olhar sob as cortinas? Ele vem todas as noites; ela o encara na esperança de que alguma faísca a faça reconhecê-lo, mas se perde naquele olhar antes mesmo de adormecer. Quando desperta, ele já não mais está - vai-se sempre sem deixar rastros, só lembranças. De quem é o olhar que faz as cortinas balançarem? E o balanço embala o sono da menina, e balança seu pensamento, a razão, o juízo incerto - e desperta um sentimento que soa confortável. Sem perceber, ela já reconhecia aquele olhar na multidão. Era hora de abrir as cortinas. O que está por trás dessas cortinas? Cris Rafa Sid Theo Wilker William
Sexta-feira, Julho 14, 2006 ![]() Fitou as gotículas da chuva que escorriam pela janela suja e que, misturando-se com a terra seca, deixavam caminhozinhos tortuosos por onde passavam. Há pouco guardara a lembrança boa que aquele barulho lhe trazia - teve o cuidado de guardar onde ninguém mais acharia e acabou por se esquecer também. Guardou o ar pesado que se espalhava antes que a chuva começasse, só para se lembrar de que havia alguém para torná-lo mais leve. Num outro canto, reservou o cheiro da terra molhada para que, sempre que fosse de seu desejo, pudesse lhe vir à memória o aroma inebriante daquele abraço largo. Guardou também a beleza do orvalho que se instalava tempos depois e a sensação gostosa de pular nas poças que acabavam por se formar naquele terreno incerto. E no meio de suas guardanças, só esqueceu do vento forte que, vez ou outra, impulsionava a água chuvosa, e que acabou por levar para longe aquele a quem se queria guardar para sempre - ou até a próxima estação. The Magic Numbers- Love´s a game
Trupe de quinta: Kidult Rafa Sid Theo Wilker William
Terça-feira, Julho 04, 2006 ![]() Talvez por medo, ele correu sem olhar pra trás. Correu como aquele que foge da bala perdida, sem saber de qual direção ela vem. Deixou o vento gelado bater no rosto e congelar os pensamentos confusos, enquanto o aroma de vazio ia ocupando todo o lugar ao seu redor. Talvez por pensar que ela o seguiria, ele não olhou pra trás e correu o mais rápido que pôde. Nem se importou com o céu chuvoso que ameaçava despencar lá de cima, sequer notou o comichão incomodar-lhe um dos lados do peito. Talvez por imaginar que não se cansaria, ele correu o mais rápido que pôde. Sentiu o gosto salgado do suór que lhe escorria da testa contrastar com o leve amargo que já lhe ocupava a boca. A roupa que colava no corpo dava-lhe a sensação de invisibilidade, como se ele pudesse se resumir a pedacinhos de tecido e nada mais. Quando espiou pelo canto dos ombros, nada havia além da poeira que ele mesmo levantara ao correr. Era tarde e ainda assim ele sorriu - estava na época de colher morangos frescos novamente. - fui brincar de amarelinha na Bahêa, mas não demoro - Arnaldo Antunes e Marisa Monte - Grão de amor
Quarta-feira, Junho 21, 2006 ![]() - falando de presentes - x: o que você não gostaria de ganhar? y: um pé na bunda. hã.. o blog há de voltar (:
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